Em frente aquela casa casa havia um ipê
amarelo.
Todos os anos o Ipê amarelo florescia, na
tentativa da arvore de se reproduzir, de produzir pólen que fecundasse outro
ipê ou para que suas flores fossem fecundadas pelo pólen doutro ipê. Mas nessa
rua não tinha nenhum outro ipê amarelo (e nem de outra cor).
Se cada uma daquelas belas flores que
vinham as centenas era uma tentativa de se reproduzir, sem uma contraparte, sem
um parceiro a vista, cada uma daquelas belas flores era nada mais do que uma
punheta. Centenas e centenas de punhetas, milhares e milhares de punhetas
daquele ipê. Punhetas que hoje estão somente na história. Que existiram por um
momento e desapareceram. Hoje o ipê amarelo esta morto. Não da mais flor e na
verdade nem folhas. A arvore esta seca e morta.
Vou ter que providenciar seu corte.
Moral da historia: faca sexo. Um dia você
estará velho e o seu corpo não vai mais fecundar coisa alguma, nem ser
fecundado.
Na verdade, nem precisa fecundar, só não
desperdice sua vitalidade pois ela vai, definitivamente, acabar.
. . . É cara, a vida não é fácil não, se você acha que a vida é fácil, tá enganado...
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